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domingo, 6 de julho de 2008

Werner Karl Heisenberg (1901 - 1976)

Publicada por Unknown


Werner Karl Heisenberg, nasceu em 5 de Dezembro de 1901 em Würzburg, Alemanha.

Filho de Dr. August Heisenberg e de Anna Wecklein, estudou Matemática e Física Teórica na Universidade de Munique, onde se doutorou em física (1923). Durante o Inverno de 1922-1923, foi para Goettingen, e aí se tornou assistente de Max Born , com quem viria a propor, em 1924, uma abordagem ao comportamento do átomo baseada na álgebra de matrizes. Em 1925, com a ajuda de Born e de Jordan, desenvolveu esta ideia criando uma teoria consistente da mecânica quântica.

Foi nomeado orador de Física Teórica na Universidade de Copenhaga em 1926 e um ano depois, com apenas 26 anos, tornou-se professor de Física Teórica na Universidade de Leipzig. Em 1927 descobriu o princípio da incerteza e explicou o ferromagnetismo com base na estrutura atómica. Pelos seus trabalhos em física quântica, recebeu em 1932 o Prémio Nobel da Física.

Em 1941 foi apontado professor e Física na Universidade de Berlim e nomeado director do Kaiser Wilhelm Institute for Physics. Durante a segunda guerra mundial, colaborou com Otto Hahn na criação de um reactor nuclear. No pós-guerra, foi tomado prisioneiro pelas tropas americanas e enviado para Inglaterra. De regresso à Alemanha em 1946, foi presidente do Deutsche Forschungsrat (centro de pesquisa alemão) entre 1949 e 1951 e em 1953 foi eleito presidente da Fundação Alexander von Humboldt.

Durante a sua vida, proferiu palestras em diversas Universidades dos Estados Unidos da América, Inglaterra, Japão e índia e recebeu o título de Doutor Honoris Causa das Universidades de Bruxelas e Budapeste. Foi eleito membro das Academias de Ciências de Londres, Göttingen, Bavaria, Saxónia, Prussia, România, Noruega, Espanga e da German Akademie der Naturforscher Leopoldina (Halle), Accademia dei Lincei (Roma), e da American Academy of Sciences (EUA).

Amante de música clássica e pianista exemplar, casou com Elisabeth Schumacher em 1937 e com ela teve sete filhos. Faleceu em 1 de Fevereiro de 1976 em Munique, Alemanha.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

André Marie Ampère (1755 - 1836)

Publicada por Unknown

André Marie Ampère nasceu em Lyon a 20 de Janeiro de 1775, no seio de uma família abastada. O seu pai, Jean-Jacques Ampère, transmitiu-lhe sólidos conhecimentos linguísticos e incentivou-o a cultivar uma postura autodidacta. Na sua adolescência, Ampère dedicou-se ao estudo das ciências, interessando-se sobretudo pelo estudo da física e da química.

Foi professor de física, química e matemática em Lyon (1797-1802) e em Bourg (1802-1804) e leccionou matemática e mecânica na École Polytechnique de Paris (1804-1828). Pela sua reputação como óptimo professor e investigador, em 1828 foi convidado para leccionar matemática na Université de France, cargo que ocupou até ao final da sua vida.

Para além de ser um extraordinário professor, Ampère desenvolveu trabalhos muito importantes nos campos da física, química e da matemática. Entre 1807 e 1816, estabeleceu a diferença entre átomos e moléculas, enunciou o chamado “princípio de Avogadro”, descobriu um ácido ao qual deu o nome de Fluorine, publicou uma tese sobre a refracção da luz e concebeu uma classificação de elementos, precursora da tabela periódica de elementos.

Ao tomar conhecimento das experiências de Hans Christian Oersted (1777-1851) sobre o desvio de agulhas magnéticas por efeito de uma corrente eléctrica, Ampère começou a estudar os fenómenos electromagnéticos e apresentou várias experiências no campo do electromagnetismo à Academie de Paris. Em 1820 reconheceu que, sem a intervenção de qualquer íman, dois fios exercem um sobre o outro uma acção atractiva ou repulsiva consoante o sentido das correntes que os percorrem. Em 1822 descobriu o princípio da telegrafia eléctrica. No decurso das suas investigações sobre a electricidade fez importantes descobertas. Experimentou a mútua influência entre fios condutores paralelos, distinguiu entre a intensidade de corrente que circula num condutor e a força impulsora ou tensão electromagnética e concebeu o solenóide.

A sua teoria foi fundamental para o desenvolvimento da electricidade e do magnetismo no século XIX. A sua obra mais importante, “Mémoire sur la Théorie Mathématique des Phénomènes Electrodynamiques“(1826) tornou possível os ulteriores avanços de Thomson, Maxwell, Weber e Faraday no campo do electromagnetismo.

Apesar das tragédias da sua vida pessoal (o seu pai foi guilhotinado em 1793 e a sua esposa faleceu em 1803, após um brevíssimo matrimónio), Ampère demonstrou grande empenho e dedicação. Como reconhecimento do seu valor, Napoleão nomeou-o inspector-geral de instrução pública em 1808.

Faleceu a 10 de Junho de 1836, em Marselha. O Ampère (A) é hoje a unidade de medida da intensidade da corrente eléctrica em sua homenagem.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

René Descartes (1596 - 1650)

Publicada por Unknown

René Descartes nasceu em La Haye (rebaptizada Descartes em sua honra), França, a 31 de Março de 1596.

Estudou numa escola jesuíta em La Flêche e em 1612 partiu para Paris, onde estudou matemática durante dois anos. Integrou o exército do príncipe Maurício de Orange e estudou direito na Université de Poitiers. Em 1619, enquanto viajava pela Europa, decidiu aplicar os métodos da matemática à metafísica e à ciência.

Descartes acreditava que todo o universo material poderia ser explicado em termos físico-matemáticos. Opondo-se veementemente à tradição escolástica de influência aristotélica, Descartes, inspirou-se no rigor demonstrativo da matemática para encontrar um fundamento absoluto e irrefutável para as ciências. Com esse objectivo, escreveu em 1637 o “Discours de la méthode pour bien conduire sa raison et chercher la vérité dans les sciences”.

Em “La Géométrie” foi o primeiro a aplicar a álgebra à geometria e a classificar as curvas sistematicamente, separando «curvas geométricas» (que podem ser expressas com exactidão através de uma equação) de «curvas mecânicas» (que não podem). Descartes também desenvolveu a ciência da óptica, e ajudou a modelar as teorias de astronomia da época.

Em 1649, partiu para Estocolmo, a convite da Rainha Cristina da Suécia e aí permaneceu durante 11 meses. Morreu a 11 de Fevereiro de 1650, com pneumonia, aparentemente porque a rainha o fez quebrar um hábito que tinha desde a infância: levantar-se tarde. Madrugar num clima rigoroso foi-lhe fatal.

Faleceu a 11 de Fevereiro de 1650 em Estocolmo, Suécia.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Bertrand Russel (1872 - 1970)

Publicada por Unknown


Bertrand Russell nasceu em 18 de Maio de 1872, em Ravenscroft, Monmouthshire, Inglaterra.

Orfão de pai e mãe aos dois anos de idade, foi educado pela sua avó, que lhe transmitiu sólidos princípios morais e religiosos. Ingressou aos 18 anos no Trinity College, Cambridge, onde estudou matemática e filosofia, e doutorando-se em 1897, com a tese "An Essay on the Foundations of Geometry" (1897).

Em 1900, que considerou ser "o mais importante ano na minha vida intelectual", participou no Congresso Internacional de Filosofia em Paris, onde assistiu à apresentação de Peano sobre as suas descobertas na lógica simbólica. Esta experiência conduziu-o a prolongadas reflexões, depois publicadas na obra “Principles of Mathematics”(1903), onde defendeu o princípio logicista de que os conceitos matemáticos se podem deduzir de alguns simples axiomas de lógica. Mais tarde, em colaboração com Alfred North Whitehead, publicou em 3 volumes a obra "Principia Mathematica" (1910), que o tornou conhecido mundialmente.

Há uma famosa antinomia da teoria dos conjuntos que ainda é conhecida pelo nome de paradoxo de Russell: Seja A o conjunto cujos elementos são os conjuntos que não são elementos deles mesmos. Então A é elemento de A se e só se A não for elemento de A.

Depois de um curto período de actividade política, Russel decidiu iniciar, durante a primeira guerra mundial, um movimento pacifista de acordo com as suas convicções. Foi detido em 1918 por motivos políticos e, durante os seis meses que passou na prisão escreveu “An Introduction to Mathematical Philosophy”, publicada em 1919. Depois da guerra, em 1920, estabeleceu-se durante alguns meses na União Soviética e viajou pelo Extremo Oriente, onde foi convidado a fazer uma série de conferências na Universidade de Pequim.

Na década de 30 publicou mais de vinte e quatro livros e mais de duzentos artigos em jornais entre os quais “The ABC of Atoms” e o “The ABC of Relativity”. Em Inglaterra foi nomeado professor do Trinity College, Cambridge e, a seguir à 2ª. Guerra Mundial, tornou-se o porta-voz da Campanha para o Desarmamento Nuclear, tendo participado em diversas campanhas pacifistas. As suas tarefas atingiram tais proporções que se organizou em 1963 a Fundação Bertrand Russell para a Paz.

Entre 1967 e 1969 publicou os três volumes da sua Autobiografia, que foram um êxito mundial. Russell faleceu em Wales, a 2 de Fevereiro de 1970 e é actualmente considerado uma referência incontornável do século XX, pelas suas actividades científicas, como as suas contribuições à Lógica e à Matemática, e pela sua participação social.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Albert Einstein (1879 - 1955)

Publicada por Unknown

Nasceu em 14 de Março de 1879 na cidade de Ulm, Alemanha.

Este génio do século XX teve uma infância solitária. Gostava de ler e ouvir música, não se identificando com os desportos praticados pelas outras crianças. Einstein sempre demonstrou grande habilidade para a compreensão dos conceitos matemáticos. Com 12 anos de idade aprendeu sozinho Geometria Euclidiana e, quando a sua família se mudou para Milão em 1894, Einstein dedicou-se à leitura de inúmeros livros de ciências. "O Livro Popular das Ciências Naturais", escrito por Bernstein em 1869, é considerado como uma das obras que mais o marcou na sua juventude.

Einstein foi sempre crítico dos métodos de ensino praticados na escola. Apesar de ter fracos resultados escolares, Einstein tinha uma enorme curiosidade em compreender o universo. Apresentou uma postura autodidacta, afirmando que "preferiria suportar qualquer tipo de castigo a ter de papaguear as coisas aprendidas" e auto-classificava-se como “livre-pensador fanático".

Terminou a escola secundária em Arrau, Suíça, com boas notas apenas em Matemática, e entrou em 1896 para o Instituto Politécnico de Zurique, onde se graduou em 1900 como professor do ensino secundário de Física e de Matemática.

Einstein tentou, sem sucesso, obter uma posição numa universidade.

Após alguns empregos precários como docente do ensino médio, aceitou a proposta de emprego para técnico de terceira classe no Departamento de Patentes Suíças, em Berna, posição que obteve por intermédio da intervenção do pai do seu amigo e colega Grossman. O novo emprego no serviço federal de patentes deixava-o com tempo disponível para se dedicar às suas investigações.

Os biógrafos de Albert Einstein referem-se a 1905 como sendo "The Miracle Year". Einstein recebeu o grau de Doutor pela Universidade de Zurique com uma dissertação sobre movimento browniano e publicou 3 trabalhos teóricos de grande importância para o desenvolvimento da Física do século XX, num dos jornais científicos mais relevantes da época, o “Annalen der Physik“.

Março de 1905: Explicação do efeito fotoeléctrico:

Einstein apresentou uma nova maneira de se entender e interpretar a luz. Até então a ideia universalmente aceite era a de que a luz, como todo o espectro electromagnético, era constituída por oscilações do campo electromagnético. Einstein baseou-se nos estudos de Max Plank (que havia sugerido que a energia era descontínua, formada por pequenos "pacotes", chamados quanta) e demonstrou que a luz pode ser interpretada como sendo formada de "partículas de energia", independentes, discretas, oscilantes, com energia proporcional à sua frequência de oscilação.

Maio de 1905: explicação do movimento Browniano:

No mesmo jornal, Einstein publicou um artigo explicando o movimento aleatório observado nas partículas suspensas num líquido, utilizando a já conhecida teoria da energia cinética. O modelo matemático apresentado por Einstein explicava em detalhe as observações experimentais dos movimentos de tais partículas.

Junho de 1905: publicação do seu mais famoso artigo, o da “Teoria da Relatividade Restrita”:

Desde a época de Galileu e Newton que os físicos conheciam o Princípio da Relatividade: a medida de qualquer processo mecânico seria a mesma se o corpo estivesse em movimento com velocidade constante ou em completo repouso. Einstein estava convencido de que o Princípio da Relatividade deveria aplicar-se também à luz. Para que isto fosse possível, uma nova e mais cuidadosa consideração sobre o conceito de tempo teve que ser feita. O tempo, que, para Newton, era algo absoluto e universal, seria, segundo a Teoria da Relatividade de Einstein, relativo.

O Nobel:

Baseado na sua Teoria da Relatividade, Einstein explicou as variações no movimento orbital dos planetas e previu a inclinação da luz das estrelas na vizinhança de um corpo massivo, como o Sol. A confirmação deste último fenómeno durante um eclipse em 1919 tornou Einstein mundialmente conhecido.

Comprovadas as suas teorias, Albert Einstein recebeu o Prémio Nobel da Física em 1921, não pela teoria da relatividade restrita, mas sim pelos seus trabalhos de 1905 sobre o efeito fotoeléctrico.

Em busca da Teoria Unificada:

Na teoria da relatividade de Einstein, a força da gravidade tornou-se uma expressão da geometria do espaço e do tempo. As outras forças da natureza, como o electromagnetismo, não foram descritas nestes termos. Einstein dedicou um tempo considerável da sua vida à generalização desta Teoria.

Para Einstein, o electromagnetismo e a gravidade poderiam ser explicados numa estrutura matemática mais profunda e complexa, e por isso dedicou a maior parte da sua vida à procura de uma "teoria unificada" que uniria o electromagnetismo e gravidade, espaço e tempo.

Paralelamente às suas investigações científicas, Albert Einstein lutou por diversas causas sociais. Tornou-se membro do Comité de Cooperação Intelectual da Liga das Nações em 1922. Em 1925, juntamente com o líder dos direitos civis indianos, Mahatma Gandhi, trabalhou numa campanha pela abolição do serviço militar obrigatório. Participou ainda num importante manifesto internacional, organizado pela Liga Internacional da Mulher pela Paz e Liberdade e que lutava pelo desarmamento internacional como sendo a melhor maneira de assegurar uma paz contínua.

Quando Hitler se tornou chanceler, Einstein abandonou Berlim, onde era professor no Kaiser Wilhelm Gesellshaft e estabeleceu-se nos Estados Unidos, no Instituto de Estudos Avançados, em Princeton, e, em 1939, data em que os alemães se baseavam nas suas teorias para construir a bomba atómica, Einstein escreveu ao presidente dos E.U.A., Franklin Roosevelt, alertando-o das potencialidades do elemento urânio, o que viria a contribuir para o desenvolvimento do programa nuclear dos E.U.A.

Adquiriu em 1940 a cidadania americana e, horrorizado com as consequências das explosões em Hiroshima e Nagasaqui, iniciou em 1946 uma campanha contra a bomba nuclear. Pronunciou-se a favor da existência do estado de Israel, contra o nazismo, envolveu-se em diversas causas sociais e lutou até ao final dos seus dias contra a utilização das armas nucleares.

Judeu e pacifista, Einstein chegou a recusar a oferta da presidência do Estado de Israel, em 1952.

Aos 66 anos, Einstein fez uma breve pausa recapitulando o trajecto da sua vida: "Havia este mundo enorme, que existe independentemente de nós, seres humanos, que permanece diante de nós um enigma gigantesco e eterno, acessível, pelo menos em parte, à nossa inspecção e ao nosso pensamento. A contemplação deste mundo acenava como uma libertação. O caminho para este paraíso não era tão confortável nem tão atraente como o caminho para o Paraíso religioso; mas mostrou-se digno de confiança e nunca me arrependi de o ter escolhido."

Em comemoração do "Ano Milagroso" de 1905, o ano de 2005 foi declarado pelas Nações Unidas como o Ano Internacional da Física.

domingo, 20 de abril de 2008

WALT DISNEY - E.U.A., 1901-1966

Publicada por Unknown


Walt Disney nasceu em Chicago, no dia 5 de Dezembro de 1901. Era um dos 5 filhos de Elias Disney e Flora Call Disney (4 rapazes e uma rapariga).

Depois do nascimento de Walt, a família Disney mudou-se para Marceline, no Missouri, onde Walt viveu a maior parte da sua infância.

Walt demonstrou, desde muito novo, interesse pela arte. Para fazer dinheiro extra vendia, com frequência, desenhos aos seus vizinhos.

Estudou arte e fotografia, tendo ingressado na High School de McKinley, em Chicago.

Em 1918, Durante a primeira grande guerra, Disney tentou alistar-se no serviço militar mas foi rejeitado devido a ter, na época, apenas 16 anos de idade. Walt ofereceu, então, os seus préstimos à Cruz vermelha, tendo sido enviado para França, onde permaneceu um ano guiando uma ambulância a qual, em vez de ostentar uma camuflagem normal, estava coberta por desenhos seus.

Após o seu regresso de França, iniciou, com uma pequena companhia chamada Laugh-O-Grams, a sua carreira em arte comercial. Devido ao pouco sucesso que obteve com esta empresa, resolveu rumar a Hollywood e aí começar de novo.

Em 1928, surge a sua primeira personagem, o rato Mickey, à qual se seguem, nos anos seguintes, inúmeras outras: Donald, Pateta, Pluto, tio Patinhas, Minnie...

Em 1937, realiza a sua primeira longa metragem de animação: Branca de Neve e os 7 Anões.. Seguiram-se inúmeras outras produções, umas com imagens animadas, outras com imagens reais, outras, ainda, fundindo os dois géneros como Mary Poppins (1964).


Para além de estúdios cinematográficos, o vasto império criado por Walt Dysney inclui diversos parques temáticos (Disneylândia, Eurodisney...), inúmeros canais de televisão e elevados rendimentos originados na venda directa de filmes e livros e nos direitos de utilização por outras entidades das imagens dos personagens.

Walt Disney transformou-se numa lenda, tendo criado, com a ajuda da sua equipa, todo um universo de referências no imaginário infantil de sucessivas gerações. As suas histórias facilmente compreensíveis, reflectem os valores médios da tradição americana

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Guglielmo Marconi (1874 - 1937)

Publicada por Unknown


Guglielmo Marconi nasceu em Bolonha a 25 de Abril de 1874. Filho de Giuseppe Marconi e Annie Jameson, foi educado em escolas particulares em Bologna, Florence e Leghor. O seu interesse pela física e pela electrónica levaram-no a estudar os trabalhos de Maxwell, Righi e Lodge, entre outros.

Ao tomar conhecimento das experiências de Hertz, que descobriu que os campos eléctricos e magnéticos se podiam propagar no ar sob a forma de ondas, Marconi começou a questionar-se se essas ondas poderiam ser usadas para sinalização. Em 1835 desenvolveu um receptor e um emissor, que ligados a uma antena rudimentar mas eficaz, conseguiam transmitir ondas de rádio a uma distância significativa.

Um ano depois, Marconi transmitiu sinais para distâncias superiores a 1,6 km e registou a sua primeira patente. Depois de ter levado o seu dispositivo sem fios para Roma e Londres e de o demonstrar numa série de ambientes, criou a Wireless Telegraph & Signal Company Limited, que em 1900 foi renomeada de Marconi's Wireless Telegraph Company Limited.

Na Primavera de 1897 demonstrou a possibilidade de comunicar a uma distância de 4 km. Em Julho do mesmo ano, em Itália, aumentou essa distância para 18 km. A 28 de Março de 1899 Marconi foi convidado pelo governo francês a realizar a primeira comunicação de uma costa para a outra do Canal da Mancha. Estava criada a T.S.F., que a partir desta altura deu lugar a numerosas experiências em todos os países. Ainda em 1899, realizou uma comunicação radiotelegráfica de 300 km. Em 1901 demonstrou a possibilidade de transmissão pela T.S.F. de sinais através do Atlântico, provando, assim, ser possível a propagação das ondas eléctricas sobre o mar e através dos continentes.

Em 1902 Marconi transmitiu a primeira mensagem radiotelegráfica entre o Canadá e a Inglaterra. Foi graças à T.S.F. que se salvou uma parte dos passageiros dos paquetes Republic (1909) e Titanic (1912). Entre 1902 e 1912 patenteou várias novas invenções e em 1924 transmitiu pela primeira vez a voz humana por meio da radiofonia entre Inglaterra e Austrália.

Marconi recebeu muitas honras durante a sua vida, incluindo parte do Prémio Nobel da Física em 1909. Quando faleceu, a 20 Julho de 1937, todas as estações de rádio do mundo lhe prestaram um tributo com dois minutos de silêncio.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Isaac Newton (1643 - 1727)

Publicada por Unknown


Isaac Newton nasceu em 4 de Janeiro de 1643 em Woolsthorpe, Inglaterra. Orfão e abandonado pela mãe aos três anos de idade, Newton foi criado pelos avós, tendo mostrado sempre uma incrível habilidade para construir objectos mecânicos artesanais.

A Geometria de Descartes estimulou-lhe o interesse pelas ciências exactas. Isaac Barrow, professor no Trinity College, em Cambridge, viria a estimular-lhe o gosto pela matemática. Estudou as obras de importantes matemáticos como Euclides, Oughtred, Kepler, Viète, Wallis, Galileu, Fermat e Huygens e aos 23 anos de idade desenvolveu a sua famosa teoria da gravitação universal, que explica as forças envolvidas nos movimentos dos planetas, ampliando e corrigindo algumas das ideias antes intuídas por Kepler, e que levariam, mais tarde, à descoberta de novos planetas.

Em 1669 assumiu o ensino da matemática no Trinity College, sucedendo a Isaac Barrow, seu antigo professor. Em 1772 foi eleito membro da Royal Society, graças à invenção de um novo modelo de telescópio reflector e às suas descobertas sobre a composição da luz.

Com a publicação da obra “Philosophiae Naturalis Principia Mathematica”, em 1689, Newton tornou-se célebre em toda a Europa. Newton deduziu a fórmula do binómio que tem o seu nome e desenvolveu um método para a solução de problemas com grandezas variáveis denominado por ele como "método das fluxões", conhecido hoje por cálculo infinitesimal. Descobriu a natureza da luz através de experiências engenhosamente concebidas com prismas, fendas e anteparos. Deduziu a expressão da aceleração centrípeta, e com ela comparou a aceleração necessária para manter a Lua na sua órbita com a aceleração com que os objectos caem na superfície da Terra. Durante a sua vida publicou "Methodus fluxiorum et serierium infinitorum" (1642), ‘’De analysi per aequationes numero terminorum infinitas’' (1667), "Philosophiae naturalis principia mathematica" (1687), "Philosophical Transaction" (1672), "Opticks" (1704 ).

Nos últimos anos de vida Newton polemizou com Leibniz sobre quem teria sido o primeiro a conceber o cálculo infinitesimal. Esta querela conheceu contornos menos dignos, como quando Isaac Newton, como presidente da Royal Society, encomendou um parecer "imparcial" para decidir nesta matéria, de que ele próprio foi autor encapotado.

Morreu em 1727, pouco tempo antes de completar oitenta e cinco anos de idade. Foi enterrado na Abadia de Westminster, Londres. Sobre o seu túmulo foi inscrito em latim o seguinte epitáfio: "Que os mortais se regozijem por ter existido tamanho ornamento da raça humana".

domingo, 13 de abril de 2008

António Egas Moniz

Publicada por Unknown


António Egas Moniz (1874 - 1955)

António Caetano de Abreu Freire nasceu em Avanca, Aveiro, em 29 de Novembro de 1874. O seu tio e padrinho viria a insistir mais tarde para que o seu apelido fosse alterado para Egas Moniz, em virtude da sua família descender em linha directa de Egas Moniz, o aio de D. Afonso Henriques.

Completou a instrução primária na Escola do Padre José Ramos e o Curso Liceal no Colégio de S. Fiel, dos Jesuítas. Formou-se em Medicina na Universidade de Coimbra, onde viria a ser professor. Em 1911 foi transferido para a Universidade de Lisboa onde leccionou Neurologia. Jubilou-se em Fevereiro de 1944.

Egas Moniz contribuiu decisivamente para o desenvolvimento da medicina ao conseguir pela primeira vez dar visibilidade às artérias do cérebro. A Angiografia Cerebral, que descobriu após longas experiências com raios X, tornou possível localizar neoplasias e hematomas no cérebro humano e abriu novos caminhos para a cirurgia cerebral.

As suas descobertas clínicas foram reconhecidas pelos grandes neurologistas da época, que admiravam a acuidade das suas análises e observações.

Os seus trabalhos sobre Angiografia Cerebral foram premiados em 1945 pela Faculdade de Medicina de Oslo, Suécia. Quatro anos depois, foi-lhe atribuído pela Academia Sueca o Prémio Nobel da Medicina, pela descoberta da relevância da leucotomia (lobotomia) pré-frontal no tratamento de certas doenças mentais.

Egas Moniz teve também papel activo na vida política. No breve regime de Sidónio Pais, foi Embaixador de Portugal em Madrid (1917) e Ministro dos Negócios Estrangeiros (1918). Foi ainda um notável escritor e autor de uma notável obra literária, de onde se destacam as obras "A nossa casa" e "Confidências de um investigador científico".

Faleceu em Lisboa, em 13 de Dezembro de 1955.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Alexander Graham Bell (1847 - 1922)

Publicada por Unknown



Alexander Graham Bell nasceu em Edimburgo, Escócia, a 3 de Março de 1847. Estudou durante alguns anos na Universidade de Edinburgo e na Universidade de Londres e aos 23 anos de idade emigrou para o Canadá. Em 1871 partiu para os Estados Unidos da América, onde fundou uma escola para crianças com dificuldades auditivas.

Em 1873, Bell foi nomeado Professor de Fisiologia Vocal em Boston e aí se tornou, em 1877, professor particular de Mabel, uma rapariga que tinha deixado de ouvir aos cinco anos de idade por motivos de doença e com quem acabou por se casar a 11 de Julho de 1877.

Na sua época, o telégrafo estava em pleno desenvolvimento e as companhias telegráficas enfrentavam um problema: as linhas telegráficas só permitiam, em cada fio, o envio de uma mensagem de cada vez e num sentido, o que limitava a capacidade das linhas e a velocidade de transmissão, pois as mensagens ficavam retidas até poderem ser enviadas.

Baseado em conhecimentos que adquirira no estudo da fisiologia do ouvido humano, Bell começou a trabalhar, em 1872, no “telégrafo harmónico” e a 6 de Abril de 1875 patenteou o mecanismo que permitiu enviar dois sinais em simultâneo. Em Setembro do mesmo ano, Bell começou a escrever com John Watson as especificações para o que viria a ser mais tarde o telefone. Após longos ensaios, Bell construiu em 1876, o primeiro telefone. A primeira demonstração pública da sua invenção ocorreu em 1877, na Centennial Exposition, em Filadélfia, onde estiveram presentes o Imperador Pedro II do Brasil (D. Pedro IV de Portugal) e o cientista inglês Lord Kelvin. Em 1878 construiu a sua empresa, a American Bell Telephone Company.

Abandonou a direcção da American Bell Telephone Company em 1879 e com as receitas da sua invenção, fundou um laboratório no Canadá, onde continuou as suas experiências na área da comunicação. Patenteou o gramofone e o cilindro de gravação em cera, bem como cilindros de folha de metal. Efectuou diversas experiências com gravações em discos planos e por galvanoplastia, imprimindo as gravações por meio de campos magnéticos permanentes.

Em 1881, desenvolveu dois dispositivos para localizar massas metálicas no corpo humano: um método de variação de indução ("balança de indução") que foi experimentado pela primeira vez no corpo do Presidente Garfield, que tinha sido assassinado nesse mesmo ano, outro baseado no sistema do telefone que produzia um clique no receptor quando este tocava numa placa metálica. Inventou ainda um sistema de arrefecimento por ar, um processo de dessalinização da água do mar, uma forma primitiva de pulmão de aço e uma máquina que separava automaticamente os cartões perfurados do censo populacional. No decurso da sua vida Bell registou 18 patentes em seu nome e 12 com os seus colaboradores.

Foi nomeado presidente da National Geographic Society em 1898. Morreu a 2 de Agosto de 1922, com 75 anos de idade em Beinn Bhreagh, no Canadá.

domingo, 6 de abril de 2008

Arquimedes (287 a.C. - 212 a.C.)

Publicada por Unknown



Arquimedes, filho do astrónomo Fídias, nasceu em Siracusa, Sicília, em 287 a.C.. Foi educado em Alexandria, Egipto, onde se consagrou ao estudo da matemática e geometria. Viveu grande parte da sua vida na Sicília, e aí se dedicou à descoberta e à experimentação.

O seu resultado mais célebre ficou conhecido como o Princípio de Arquimedes. Conta a lenda que Hiero, rei de Siracusa, receava ter sido enganado pelo ourives a quem tinha encomendado uma coroa de ouro puro e terá solicitado a Arquimedes que encontrasse uma forma de se comprovar a natureza do material sem a danificar. Arquimedes terá encontrado a solução ao verificar que à medida que entrava num recipiente completamente cheio de água para se lavar, parte dela transbordava. Arquimedes percebeu que para averiguar a densidade da coroa bastava colocar uma coroa de ouro puro num recipiente completamente cheio de água e em seguida determinar o volume de água transbordada. Entusiasmado com a descoberta, Arquimedes saiu nu pelas ruas, gritando: “Eureka! Eureka”! ("Descobri! Descobri!").


Arquimedes notabilizou-se ainda em vida, não pelos seus extraordinários trabalhos de matemática pura, mas sim pelas aplicações engenhosas que concebeu. Entre elas encontram-se máquinas de guerra, o famoso parafuso de Arquimedes que permite elevar água e ainda hoje se pode encontrar em funcionamento em algumas zonas do planeta, alavancas, etc..

Arquimedes dedicou-se fundamentalmente à Mecânica, sendo seu o princípio da alavanca. A célebre frase "dêem-me um ponto de apoio e eu levantarei o mundo" é de sua autoria. Inspirado pelas leis físicas da natureza, enunciou e demonstrou resultados notáveis de geometria, como seja o da quadratura do segmento de parábola. Usando polígonos regulares inscritos e circunscritos a uma circunferência, Arquimedes mostrou que o número π tem um valor entre 3+10/71 e 3+1/7.

Arquimedes morreu durante a tomada de Siracusa pelos romanos, em 212 a. C.

Fonte: www.e-escola.pt

quarta-feira, 19 de março de 2008

Leonardo de todos os instrumentos

Publicada por Unknown


Ele não falava grego nem latim. Jamais frequentou uma universidade e por isso era desprezado nas rodas intelectuais de Florença, no Renascimento. Mas as suas pinturas e projectos de engenharia tornaram-no famoso e admirado pelos poderosos da época. Muito tempo depois, o mundo viria a conhecer o lado secreto deste génio superlativo.

"De tempos em tempos, o Céu envia-nos alguém que não é apenas humano, mas também divino, de modo que, através de seu espírito e da superioridade de sua inteligência, possamos atingir o Céu." Com estas palavras, Vasari, o célebre biógrafo do século XVI, inicia o seu relato sobre a vida de Leonardo da Vinci. Apenas 30 anos após a morte deste génio superlativo, a sua figura já estava totalmente envolvida pela aura do mito.

Nascido na pequena cidade de Vinci, próxima de Florença, no dia 15 de abril de 1452, Leonardo seria considerado, em pouco tempo, o maior pintor da sua época, protegido e adorado em algumas das principais cortes europeias. Mas o seu enorme prestigio não se restringiu à pintura. Escultor, músico, arquitecto, engenheiro civil e militar e extraordinário inventor, ele foi a versão suprema do homem dos sete instrumentos.

O seu talento versátil expressou-se mesmo em actividades mundanas e tipicamente cortesãs, como a organização de festas e diversões para a nobreza: desde a invenção de um palco giratório para apresentações teatrais até ao desenho de trajes de luxo; de entretenimentos musicais à arte da conversação e aos jogos de palavras. Vasari diz que ele "foi o melhor improvisador de rimas do seu tempo".

Mas, coexistindo com este Leonardo público, célebre e celebrado, houve outro, talvez ainda mais assombroso: um Leonardo solitário e secreto, que permaneceria desconhecido durante muito tempo. Numa actividade recolhida, sigilosa, escrevendo da direita para a esquerda para que o seu texto não pudesse ser lido, o que lhe era facilitado pelo facto de ser ambidestro, encheu páginas e páginas com a mais eclética massa de conhecimentos, produzindo, com anotações e desenhos, uma gigantesca colcha de retalhos do saber universal. Os primeiros manuscritos de que temos noticias datam de 1478, quando Leonardo, então em Florença, contava ainda 26 anos. Os últimos são de 1518, de poucos meses antes da sua morte, ocorrida na França, em 2 de maio de 1519.

Em cerca de seis mil páginas que nos restam dessa prodigiosa obsessão há praticamente de tudo: Geometria e Anatomia; Geologia e Botânica Astronomia e Óptica; Mecânica dos Sólidos. Mecânica dos Fluidos; Balística e Hidráulica; magníficos desenhos preparatórios e exaustivos estudos de perspectivas; considerações teóricas sobre a arte e anotações técnicas muito precisas sobre como fundir uma estátua equestre em bronze; o plano arquitectónico para a construção da catedral de Milão e um projecto de desvio do curso do rio Arno para ligar Florença ao mar; mapas e planos urbanísticos; projectos de pontes e fortificações.

Há, principalmente, a mais fantástica colecção de invenções e soluções de engenharia já imaginadas por um único homem: esboços de helicópteros, submarinos, pára-quedas, veículos e embarcações automotores, máquinas voadoras; projectos minuciosos de tornos, máquinas perfuradoras, turbinas, teares, máquinas hidráulicas para limpeza e dragagem de canais, canhões, metralhadoras, espingardas, bombas, carros de combate, pontes móveis etc.

Mas esse Leonardo, que escreveu praticamente sobre tudo, escreveu muito pouco sobre si mesmo. Sabemos que no seu comportamento quotidiano reflectia-se a mesma ambiguidade presente na sua produção intelectual. Gostava de se cercar de luxo, tratava amigos e criados com opulência e generosidade, mas tinha hábitos frugais: era vegetariano e preferia a água ao vinho. Muitas das suas noites foram consumidas na dissecação de cadáveres, no meio dos odores da morte e da decomposição. O quanto ele era habilidoso nessas técnicas mostram-no os seus desenhos anatómicos, considerados superiores aos do célebre Andreas Vesalius, o grande anatomista do Renascimento.

A sua infância não foi fácil, o que talvez explique o gosto pelo luxo na idade adulta. Filho ilegítimo de um tabelião florentino e uma camponesa, foi criado longe da mãe, na casa do avô paterno, junto do pai e de uma madrasta. Pelo menos até a idade de 20 anos, foi filho único e só teria irmãos no terceiro ou quarto casamento do pai. Depois de afastado do convívio com a mãe, a morte da primeira madrasta, quando Leonardo tinha cerca de 13 anos, parece ter representado para ele uma segunda grande perda afectiva. Logo haveria uma terceira, aos 16 anos, com a morte do avô, a quem era muito ligado.

Desse complexo quadro de vida, Freud, o fundador da psicanálise, derivou a sua interpretação da trajectória de Leonardo. Ela seria movida por uma repressão da pulsco sexual e por uma inibição afectiva, em que a pulsão do conhecimento acabaria por submergir, pouco a pouco, qualquer outro factor emocional. Peça chave da explicação freudiana é a hipótese, que hoje parece indiscutível, da homossexualidade de Leonardo.Seja como for, aos 17 anos ele já havia dado provas de seu talento excepcional. O pai inscreveu-o, então, como aprendiz no grande atelier de Andrea Verrochio, em Florença. Não se tinha lá uma formação erudita; o ensino era todo voltado para a prática; mas era incrível a massa de conhecimentos que se podia adquirir: cálculo, perspectiva, desenho, pintura, escultura em pedra e metal, arquitectura, construção civil e militar etc. É ao atelier de Verrochio que Leonardo deve toda a sua formação básica. A partir daí ele será um autodidata. Muitas coisas aprenderá por ouvir dizer, numa época em que grande parte do conhecimento ainda era adquirida de ouvido. Outras, porém, custam-lhe um enorme esforço de leitura e sistematização de que os manuscritos por ele deixados são testemunhos.


Aos 40 anos, copia nos cadernos palavras eruditas, retiradas dos livros, que possam enriquecer o seu vocabulário rústico. Aos 50, está envolvido ainda com um estudo por conta própria, não só do latim, mas também da geometria de Euclides, que será uma paixão e um modelo até o fim da vida.

Ele era, então, o que alguns dos seus pedantes contemporâneos classificaram como um uomo senza lettere (homem sem letras), isto é, alguém que não possuía uma formação humanística: de facto jamais frequentara a universidade e, durante muito tempo, esteve impedido de ter acesso directo à grande cultura pela barreira do idioma, já que não dominava o latim e muito menos o grego. Esse menosprezo dos meios sofisticados, a que Leonardo respondia com afectado desdém, não deixou de magoá-lo, reabrindo feridas mal curadas da sua infância traumática. Os biógrafos são unânimes em apontar como uma das principais causas da sua primeira saída de Florença, por volta dos 30 anos, uma dificuldade de adaptação ao culto e refinado ambiente florentino.

A mudança para Milão, em 1482, representou uma mudança decisiva na sua trajectória intelectual. Nos dezessete anos que passou a serviço do duque Ludovico Sforza, o seu génio floresceu plenamente. Não só em pinturas soberbas, como “A última Ceia” e a primeira versão de “A virgem dos Rochedos”, mas também na afirmação definitiva da sua vocação para a ciência e a tecnologia. A queda de Ludovico com a ocupação de Milão pelos franceses, em 1499, pôs fim a esse período brilhante e relativamente tranquilo. A partir daí, Leonardo, já uma celebridade, iria trocar de domicilio e patrão ao sabor da instável conjuntura política italiana: novamente Florença, com rápidas passagens por Mântua e Veneza; Urbino, como arquitecto militar e engenheiro chefe de Cesare Borgia, em cuja corte se encontrou com Maquiavel, fundador da ciência política moderna; outra vez Milão, a convite do governador francês Charles d'Amboise; Roma, na corte papal.

Essas mudanças constantes não lhe bloquearam porém a criatividade. É do segundo período florentino, por exemplo, o seu quadro mais famoso, na verdade, o mais famoso de toda a história da pintura, a “Mona Lisa”, enigmático retrato da esposa do rico comerciante Francesco del Giocondo. Já a estadia em Roma, novamente a serviço dos Medici, seria certamente a fase mais desgostosa da sua vida.

Giovanni de Medici, filho de Lourenço, o Magnífico, havia sido eleito papa, com o nome de Leão X, e saudou a sua eleição com uma frase que ficou célebre: "Já que Deus nos deu o papado, gozêmo-lo". Amante dos prazeres, da pompa e do luxo, protector das artes na medida em que satisfizessem a sua vaidade, tratou logo de atrair para a sua corte os artistas mais brilhantes. Lá se reuniram os três maiores nomes do renascimento italiano: Leonardo, Michelangelo e Raffaello. Deveria ser um momento privilegiado na história da arte. Mas não foi um momento feliz para Leonardo.

Contava então 60 anos - era uma geração mais velho do que Michelangelo e duas mais do que Raffaello. O seu contacto com Michelangelo foi francamente hostil. Típico produto do ambiente patrocinado pelos Medici, Michelangelo nada tinha em comum com a formação científico-experimental leonardiana. Além do mais, trabalhava rápido, num ritmo alucinante. Enquanto Leonardo, dispersivo e perfeccionista, projetando a sua transbordante genialidade em inúmeras direcções, mas sem paciência de levar nenhum projecto até o fim, trabalhava devagar e adiava sempre. À preferênciacia dos romanos por Michelangelo e Raffaello e ao ambiente hostil da corte papal, Leonardo respondeu com retraimento e um de seus desenhos mais perturbadores, O “Dilúvio”, uma visão apocalíptica de destruição e aniquilamento.

Ele escapou desse tormento graças à subida de Francisco I ao trono de França. Convidado a assumir o cargo de "primeiro pintor, engenheiro e arquitecto do rei", foi instalado no palácio de Cloux, a apenas algumas centenas de metros do palácio real de Amboise, no condado do Loire, França, recebendo tratamento principesco. Lá viveria, de 1516 até o ano de sua morte, em companhia de seus discípulos predilectos, entre eles Francesco Melzi e Salai.

Ambos haviam-se unido a Leonardo ainda no seu primeiro período milanês. Melzi herdaria praticamente todo os seus bens. Salai, um garoto de apenas 10 anos quando entrou a serviço do mestre, já no segundo dia robou-lhe algum dinheiro, o que continuaria, a fazer com certa regularidade ao longo dos anos. Leonardo anotou que ele era "ladro, bugiardo, ostinato, ghiotto" (ladrão, mentiroso, obstinado, glutão), mas nem por isso deixou de mimá-lo. Com uma ponta de malícia Vasari descreve-o como belíssimo gracioso, com vastos cabelos encaracolados, de que Leonardo "si diletò molto" (se agradou muito) referência que, evidentemente, não escapou à atenção de Freud.

A julgar pelos seus últimos auto-retratos e pelo testemunho dos visitantes, Leonardo parecia sofrer de alguma doença degenerativa, que lhe dava uma aparência envelhecida. A sua mão direita estava semiparalisada, talvez em decorrência de um derrame cerebral. Nos aposentos, guardava algumas das suas maiores preciosidades: três magníficas pinturas “Sant'Ana”, a “Virgem e o Menino”, a “Mona Lisa” e São João Batista e os manuscritos que carregara consigo nas suas muitas viagens e a vida inteira teimou em manter inéditos.

Herdados pelo discípulo Mezi, esses manuscritos acabariam por se espalhar da maneira mais tortuosa e só começaram a ser redescobertos a partir do final do século passado. A impressão inicial causada pelas seis mil páginas sobreviventes é de um caos desconcertante. Os assuntos misturam-se sem nenhuma ordem aparente: na mesma página, a anotação mais instantânea e trivial da vida quootidiana pode estar lado a lado com o enunciado de um teorema ou com a observação acurada de um fenómeno natural. O método de trabalho de Leonardo talvez explique em parte essa incrível dispersão. Sabemos hoje que ele carregava sempre consigo cadernos de notas em que podia registar uma frase ou esboçar rapidamente um desenho. Ao lado desses, havia outros cadernos, mais ordenados e homogéneos, preenchidos com calma no silêncio de seus aposentos. Neles, numa escrita elegante e em desenhos de acabamento impecável, procurava dar às suas ideias uma forma definitiva.

Mesmo nesses cadernos, porém, os assuntos muitas vezes atropelam-se: não é raro que uma demonstração, começada com preciso enunciado de premissas, acabe indo parar bem longe do ponto de partida. Mas o caos é apenas aparente. Como observa Anna Maria Brizio, uma das maiores estudiosas leonardianas da actualidade, pouco a pouco se percebe que "a múltipla disparidade de argumento emana de um único centro e contém uma formidável unidade de processo mental". Arte, ciência e tecnologia encontram-se aí de tal modo amalgamadas, que se passa de um domínio a outro praticamente sem perceber.

A ciência de Leonardo é toda baseada no primado da visão sobre os demais sentidos e da geometria sobre as demais disciplinas. Em geometria, ele realizou descobertas teóricas importantes, como a determinação dos centros de gravidade dos sólidos geométricos e a transformação de um sólido em outro, com a do volume. Em estática, foi o primeiro a compreender a possibilidade de se decompor uma força segundo duas direcções, o que lhe permitiu resolver um grande número de problemas práticos. Em cinemática, ciência que só seria precisamente formulada quase 150 anos mais tarde, com os trabalhos de Galileu, ele intuiu as leis que regem os choques entre dois sólidos iguais como duas bolas de bilhar.

A curiosidade de Leonardo empurra-o mesmo a terrenos ainda não desbravados, como a mecânica dos fluidos, disciplina praticamente ignorada pelos gregos, a grande fonte das ciências medieval e renascentista. Uma de suas investigações nessa área explicada em detalhe pelo estudioso Carlo Zammatio pode ser considerada um caso exemplar de seu procedimento científico.

Mas foi no domínio da tecnologia que se deram algumas de suas mais espantosas realizações. Uma delas só descoberta muito recentemente, a partir de um trabalho de restauração num dos cadernos leonardianos é uma bicicleta muitíssimo superior, em termos solução de engenharia, às primeiras bicicletas que seriam fabricadas por volta de 1817. Na verdade, o sistema proposto por Leonardo, com pedal ligado a uma roda dentada que transmite a força à roda traseira através de correia só adoptado no começo do século XX. A sua bicicleta nunca foi construída. O mesmo se pode dizer, quase com certeza, de todos os seus outros inventos, geralmente avançados demais para as possibilidades técnicas da época.

Além disso, a mistura contraditória de dispersão e perfeccionismo fez com que, também noutros domínios, a sua criação ficasse incompleta. Na pintura, deixou vários quadros inacabados. Na ciência, as suas geniais antevisões jamais receberiam uma sistematização final, permanecendo secretas e em nada influenciando o desenvolvimento científico da humanidade. Leonardo era extremamente susceptível ao julgamento público e essa deve ter sido uma das causas da ocultação dos manuscritos. Porque, para escrever para o mundo culto, era preciso rigor, sistematização, refinamento de expressão e, principalmente, um domínio perfeito da língua latina. Características dificilmente encontráveis num uomo senza lettere. Ironicamente, esses manuscritos fragmentários, redigidos em língua vulgar, permaneceriam como um dos mais